Fácil Sistemas
Gestão & RH

Ghostworking: O Trabalho Invisível que Ameaça a Produtividade nas Empresas

Nos bastidores do mundo corporativo moderno, uma nova prática silenciosa vem ganhando destaque e preocupação entre gestores: o ghostworking. Muito além de fingir estar ocupado, esse comportamento...

Alida

8 de setembro de 2025

4 min de leitura
Ghostworking: O Trabalho Invisível que Ameaça a Produtividade nas Empresas

Nos bastidores do mundo corporativo moderno, uma nova prática silenciosa vem ganhando destaque e preocupação entre gestores: o ghostworking. Muito além de fingir estar ocupado, esse comportamento reflete uma crise de confiança e engajamento entre empresas e colaboradores — e pode estar drenando produtividade de forma invisível, mas constante.

O que é Ghostworking?

Ghostworking é o ato de simular trabalho — seja navegando por sites irrelevantes, movimentando o mouse sem propósito, participando de reuniões fictícias ou mantendo planilhas abertas apenas como fachada de produtividade. A prática também inclui outro comportamento alarmante: procurar ativamente outro emprego durante o expediente.

Segundo o relatório mais recente da Resume Now, 92% dos profissionais entrevistados admitiram já ter procurado outra vaga em horário de trabalho. Isso inclui desde editar currículos e enviar candidaturas até atender chamadas de recrutadores e sair escondido para entrevistas.

A Nova Face da Crise de Produtividade

Embora não seja um fenômeno novo, o ghostworking evoluiu. O que antes era chamado de “teatro da produtividade” ou “demissão silenciosa” (quiet quitting), agora se manifesta com ainda mais sutileza e frequência — impulsionado por fatores como esgotamento, vigilância corporativa, excesso de reuniões improdutivas e falta de reconhecimento.

O estudo aponta que:

  • 58% dos colaboradores fingem estar trabalhando com regularidade;

  • 23% já andaram com um caderno apenas para parecer ocupados;

  • 22% digitaram aleatoriamente no teclado sem uma tarefa real;

  • 12% chegaram a agendar reuniões falsas para evitar trabalho real.

Além disso, os colaboradores afirmam perder mais tempo em home office do que no escritório, com 43% reportando maior distração no trabalho remoto.

Por Que o Ghostworking Acontece?

De acordo com especialistas, o ghostworking é sintoma de problemas mais profundos, como:

  • Falta de engajamento e conexão com a cultura da empresa;

  • Excesso de cobrança por performance sem suporte real;

  • Microgerenciamento e vigilância excessiva por parte da liderança;

  • Poucas oportunidades de crescimento e reconhecimento interno;

  • Pressão para “parecer ocupado” em vez de ser verdadeiramente produtivo.

O ghostworking, nesse contexto, se transforma em uma resposta silenciosa à insatisfação e à desconfiança mútua entre empresas e seus colaboradores.

O que os líderes e empresas podem fazer?

Combater o ghostworking não é (apenas) uma questão de monitoramento — mas de liderança consciente, comunicação eficaz e cultura organizacional sólida. Veja algumas ações práticas para reverter esse cenário:

1. Converse com os colaboradores

Crie momentos frequentes de escuta ativa e feedbacks não ameaçadores. Entenda suas dores, expectativas e planos de carreira. Demonstre que a empresa se importa de verdade.

2. Reconheça e valorize resultados reais

A motivação passa pelo reconhecimento. Crie programas de valorização, premie boas práticas e celebre conquistas. Funcionários que se sentem vistos têm menos razão para “fingir trabalhar”.

3. Dê autonomia com responsabilidade

Permita que os profissionais tenham mais controle sobre seu tempo e forma de trabalho. Em contrapartida, estabeleça metas claras e mensuráveis. Troque vigilância por confiança.

4. Invista em desenvolvimento e crescimento

Capacite suas equipes. Mostre que há espaço para crescer, evoluir e ser promovido. Um profissional que vê perspectiva no futuro dificilmente procurará emprego no meio do expediente.

5. Otimize a rotina e elimine tarefas inúteis

Corte reuniões improdutivas, tarefas repetitivas e controles excessivos. Deixe o time focar no que realmente entrega valor.

Rompendo o Ciclo Vicioso

O ghostworking é consequência — e também causa — de uma relação disfuncional. Quando líderes microgerenciam, os funcionários reagem com simulações de produtividade. Por sua vez, a descoberta desses comportamentos reforça ainda mais o controle. O resultado é um ciclo tóxico de baixa produtividade, perda de confiança e alto turnover.

Segundo a pesquisa, 69% dos colaboradores dizem que seriam mais produtivos se seus empregadores monitorassem seu tempo de tela. Mas será que o caminho é realmente o controle total? Ou está na criação de uma cultura de transparência, pertencimento e reconhecimento?

Conclusão

O ghostworking não é apenas um problema operacional. É um reflexo direto da saúde emocional e cultural das empresas. Fingir produtividade é um grito silencioso por atenção, propósito e conexão.

Empresas que desejam crescer de forma sustentável precisam olhar para além dos números e relatórios: precisam entender quem são seus colaboradores, como se sentem e por que agem como agem.

Como diz o especialista Keith Spencer, “não julgue um livro pela capa”. Antes de rotular um profissional como improdutivo, entenda sua história. A solução pode estar menos em vigiar — e mais em valorizar, ouvir e evoluir juntos.

Fonte: Forbes

Compartilhar